terça-feira, 6 de outubro de 2009

Royal Mail




O Royal Mail é o correio do Reino Unido. Sou fã do Royal Mail. Explico.

Primeiramente, a caixa de correio do correio inglês já é um ícone em si, a exemplo das famosas cabines telefônicas e dos ônibus de dois andares vermelhos. Tudo vermelho. É absolutamente comum vermos nas ruas dezenas de caminhões vermelhos, com o símbolo em amarelo, com a coroa da rainha, é claro. Não parece um charme?

Meu marido quando pequeno queria ser carteiro. Ele tem até hoje uma visão romântica dessa profissão. Os carteiros são aqueles que entregam as cartas, que mantêm elos. Todos os dias pela manhã, ele confere nossa caixa de correspondências.

Os carteiros ingleses são um detalhe à parte. Velozes em suas bicicletas vermelhas e sempre claramente identificados. Usam capacete. São gentis e muito eficientes. Como os demais trabalhadores que exercem suas atividades nas ruas das cidades inglesas, usam também coletes de cor fluorescente para fins de melhor visualização.

Em duas ocasiões testemunhamos a delicadeza do serviço. Certa vez, uma entrega não foi realizada, porque não estávamos em casa. O carteiro deixou um aviso do Royal Mail, em que constava um sincero pedido de desculpas, explicando que não foi possível fazer a entrega, pois não havia ninguém em casa. Tudo escrito num tom em que eles próprios se sentiam culpados. Uma graça.

Hoje aconteceu outro episódio gentil. Um jornalzinho, vindo do Brasil, que chegou um pouco rasgado. O R.M. ensacou toda a correspondência original em um saquinho plástico – óbvio do próprio Royal Mail – contendo, inclusive instruções de como reclamar com a empresa! Não é o máximo?

O Post Office (nome da agência do correio daqui) do centro da cidade é como qualquer outro. O da universidade é pequeno e pitoresco. As senhorinhas que lá trabalham são sorridentes, param de te atender para fazer um comentário, sempre simpáticas. Os chás em suas canecas são constantes.

Sei que pode parecer de mau gosto escrever isso neste momento. Afinal há pouco houve uma greve dos correios brasileiros. Mas não acredito que seja. Até porque sempre tive ótima impressão do nosso azul e amarelo. Sabia que na França o correio tem as mesmas cores?

Aliás, ainda sobre o nosso correio: para toda vida serei grata pela chegada do meu visto para vir para cá no prazo esperado, num sábado, sendo que minha viagem era na segunda! Aplausos para os carteiros!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Anos 80/90


Tatyana Ogryzko 123RF



Virar os olhos para o passado pode ser muito divertido. Como estou na casa dos 30, me recordo de algumas coisas do final dos anos 80 e da década de 90. Não sei dizer qual o quesito mais divertido. Aqueça a água do chá e vamos lá!

Moda: você lembra das saias balonê? Elas tentaram uma volta esses tempos, mas nem me arrisquei! E as camisetas que colocávamos a parte de trás para dentro da calça e a parte da frente para fora? Não sei como isso pegou, mas pegou! As calças com a cintura quase no pescoço nem comento. As meias até acima do joelho, confesso, tenho saudades, gostava de usar aquele modelito! As polainas de lã, provavelmente feitas em malharia.

Música: as reuniões dançantes arrebentavam quando tocava a trilha sonora do filme “Top Gun”, ou A-HA. Lembra de uma propaganda de um chocolate branco com uma música deles? Dominó, Menudo, New Kids On The Block.

Televisão: Bom, a Xuxa, na infância, era um sucesso com seu programa de brincadeiras, suas músicas e coreografias. Lembra do Praga, do Dengue e das Paquitas? Também houve o Balão Mágico, que era uma graça. Me recordo de um disco, cuja capa era formada por Simony, Tob, Mike e Jairzinho. Havia o Fofão, com suas famosas bochechas. O palhaço Bozo nunca achei divertido, mas fez fãs, assim como Sérgio Mallandro.

Os desenhos: lembro que os Smurfs eram o primeiro no Xou da Xuxa, Caverna do Dragão, os Snorks, lembra que eles viviam no fundo do mar? Com um tipo de trombinha na cabeça? O que falar de He-Man e She-Ra? Eram o máximo! Tenho certeza que meu ávido interesse por filmes e séries de suspense foram consequência da minha adoração pelas histórias de mistério de Scooby-Doo. Os Flinstones, com o grito de Fred “Wilma!”, era muito divertido. Tudo com dinossauros, eram eles que faziam algumas coisas da casa, como parte de um aparelho doméstico, lembra?

Os seriadinhos também tinham espaço: Alf, o Eteimoso, por exemplo. Lembro que não gostava muito, mas ficou no ar por um bom tempo. Super Vick, Primo Cruzado, O Incrível Hulk (eu amava! Ficava boquiaberta com a transformação, ele ficando verde e rasgando as próprias roupas pelo seu tamanho). As Panteras, era fã da loira Farrah. Dallas, com o malvado J.R. E o Magaiver com suas soluções hiper criativas? Casal 20, Ilha da Fantasia, adorava! O Gordo e o Magro acho que passava aos domingos, eu assistia sempre! Viva o Gordo às segundas-feiras à noite, achava o Jô hilário. Tom Selleck sempre será, para mim, o Magnum.

Lembram que sábado à noite passava na Globo o programa de apresentações musicais Globo de Ouro? Lembro de uma famosa música, cujo cantor bradava o refrão: Yes, Yes, Yes. Nunca mais ouvi essa música, sabe de qual falo?

O que falar de Os Trapalhões? Eu era vidrada e ria o tempo todo. Acho que passava aos domingos, às 19h. Era compromisso marcado com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Ídolos: Xuxa, claro. Como pré-adolescentes curtíamos Tom Cruise, Rob Lowe, Johnny Depp, Kevin Costner, Keanu Reeves, River Phoenix.

Filmes: Gatinhas e Gatões, Admiradora Secreta, A garota de rosa-shocking, Alguém muito especial, Top Gun, Cry Baby, Curtindo a vida adoidado, Karatê Kid. Após assistir Flashdance, toda menina queria ser bailarina! Clube dos cinco, Namorada de aluguel, De volta para o futuro, Lassie, E.T., Goonies, Gremlins, Dirty Dancing, Um Tira da Pesada, Loucademia de polícia.

Os filmes dos Trapalhões eram ótimos. Quem não chorou com a morte do cachorrinho do Didi, o Lupa, no filme O Trapalhão nas minas do rei Salomão? Lembra que depois ele ressuscita?

Brinquedos: o elástico que colocávamos entre duas cadeiras e que hoje olho com orgulho, como conseguíamos fazer aquilo? Estrelinha, quase umas ginastas! O pogobol era muito divertido, assim como o bambolê, quantos malabarismos! Bicicleta, claro, Barbie e seus apetrechos. Cara a Cara, Jogo da Vida, Detetive, War. Havia o Stop, em que fazíamos nas folhas dos nossos cadernos que avaliava nossos conhecimentos sobre nomes de frutas, carros, verduras etc. Jogar handebol e vôlei eram hábitos divertidos e saudáveis. Fora quando dava brigas entre as jogadoras, coisas do esporte.

Brincar de aula, em que a “professora” era sempre gritona e atenta aos bilhetinhos que os “alunos” teimavam em passar era uma maneira de lidarmos com a escola de todo o dia. As bonecas de papel eram uma preciosidade, assim como recortes de revistas em que montávamos lindas casas. Brincar de mãe, com o “bebê” sempre querendo mamar e, no nosso colo, precisando de nossos cuidados. Brincar de loja, etiquetando as próprias roupas com os preços. Brincar de banco, com a maquininha que até saía papel da conta ou com calculadora era o máximo: dava a ideia de sermos praticamente adultas.

Brincar de pegador, eu adorava chegar à raia! De “se esconder” eu ficava meio tensa, participava, mas não era das brincadeiras de que eu mais gostava. Polícia e ladrão era muito legal. Estourar bexiguinha uns nos outros era uma prática. Quem não brincou de ovo podre na escola? Eu adorava! Passar o anel, jogar vídeo-game Atari, detetive em que o “assassino” piscava para suas vítimas, enquanto o detetive deveria identificá-lo e acabar com o jogo?

Lembrar de todas essas coisas nos faz rir e pensar na infância divertida que tivemos. Recordou de alguma coisa que não escrevi ou que não está correto? Envie um comentário para enriquecer esta lista!

domingo, 4 de outubro de 2009

Boa Fama


Fonte: botecodabola.wordpress.com



Pessoal, traduzo uma notícia do The Times, deste domingo, muito interessante...

“Porque as mulheres amam um brasileiro

Os homens ingleses estão entre os piores amantes do mundo, de acordo com uma pesquisa. Mas eles são melhores que os alemães. Os ingleses são muito preguiçosos, dizem as inglesas, enquanto os alemães são muito fedorentos.

15.000 mulheres de vinte países responderam à pesquisa, realizada pelo website OnePoll.com. Os suecos são muito rápidos, os holandeses muito mandões e os russos muito peludos. Os melhores amantes são os espanhóis, os brasileiros e os italianos”.

Bem,  ponto para nós!

O Trabalho


Fonte: www.canteirodeprojetos.org.br



Dia 23 de setembro li no The Times uma reportagem inquietante a respeito de suicídios de empregados de uma empresa telefônica, na França. O assunto ganhou espaço na mídia, após o suicídio de uma moça de 32 anos, em Paris.

Nesta semana, por acaso, vi um telejornal anunciando mais um suicídio cometido por um funcionário de tal empresa. Ao total foram 24 funcionários que acabaram com suas próprias vidas, nos últimos 18 meses. O tema deixou de ser assunto interno da companhia. O presidente Sarkozy exigiu uma ação.

Há dois anos a empresa passa por uma reestruturação, exigindo, inclusive, que alguns profissionais mudem de cidade. Provavelmente, as mudanças causaram estresse e depressão, a ponto de um ato desesperador e desesperançoso.

Um sociólogo francês, ouvido pelo jornalista responsável pela matéria, afirma que o francês dá muita importância ao seu trabalho, que ele é algo definidor de sua identidade. É como dizer que em outros países, como na Inglaterra, as pessoas se definiriam torcedoras de tal time, por exemplo.

Discordo do sociólogo. Não vejo a profissão como definidora de identidade como uma particularidade meramente francesa, assim como não acredito que se eu conversar com um inglês ele se descreverá apenas como torcedor do Manchester United, por exemplo.

O trabalho é quase tão definidor da nossa identidade como o nome e o sobrenome. ‘Oi, meu nome é Liana, sou psicóloga’, é uma introdução comum, não te parece? Esta notícia da França me fez pensar na importância que damos ao setor profissional nas nossas vidas.

Supostamente, quando entramos na vida adulta, o trabalho passa a nos ocupar a maior parte do dia. Passamos mais tempo envolvidos com ele do que com nossas questões pessoais ou familiares.

De qualquer forma, mais da metade do dia é destinado a ele. Sua importância supera a questão do sustento, do dinheiro no fim do mês. Além disso, é uma questão de reconhecimento e principalmente, de realização pessoal.

A autoestima pode decair bruscamente quando o sujeito está desempregado ou em um cargo abaixo do que ele esperava ou do que esperavam para ele. A sensação de inutilidade é grande, mesmo que racionalmente reconheçamos que qualquer um de nós é muito mais do que a profissão que exercemos. Isso mostra o valor que damos ao nosso ofício de cada dia.

Quando fiz um estágio na faculdade, em que eu mantinha contato com desempregados, era muito claro o sofrimento que muitos dos que procuravam emprego se encontravam. Um olhar melancólico, meio que para baixo, com um pouco de vergonha de si mesmo.

Dizem que o bom profissional sempre encontra trabalho. Discordo. Nos dias de hoje, essa regra é inválida. Claro que a postura pessoal e seu currículo podem facilitar a ocupação de uma vaga, mas só isso não basta.

O trabalho expressa que papel exercemos na sociedade, de que maneira colaboramos para o seu funcionamento. Além disso, o que fazemos mostra muito o que somos. Assim, quando os conflitos neste âmbito se tornam muito angustiantes não afetam exclusivamente a esfera profissional, mas a questão existencial de cada um.

sábado, 3 de outubro de 2009

Cultura em Pelotas


Stephen Orsillo/123RF


Hoje li no site do jornal pelotense Diário Popular que talvez a prefeitura de Pelotas, ao efetuar uma reforma administrativa, transforme a Secretaria da Cultura em um departamento. O mesmo jornal fez uma enquete para saber a opinião dos leitores. O resultado foi que 53,42% desses pensam que a secretaria é um meio de luta pelo poder do setor.

Qual é a diferença? Sendo secretaria, os assuntos culturais possuem maior independência, com seu próprio orçamento e com maior liberdade para administrá-lo. Sendo departamento se tornaria um órgão com menos independência para a execução de suas políticas.

Para que afinal serve a cultura? Ela não alimenta com comida, nem mata a sede, não abriga em dias frios; todavia, pode ser tão importante quanto às funções recém citadas. Como diz a música dos Titãs, “a gente não quer só comida/ a gente quer comida/diversão e arte”.

Não só de comida e bebida vive o ser humano. Também vive de cinema, de teatro, de exposições, de música, de dança e tudo mais que se relaciona com a arte.

Compreendo a problemática envolvida na questão: baixo orçamento e insuficiente investimento do setor privado, porém pergunto: não haveria uma maneira de reverter esse quadro sem precisar extinguir a secretaria? Esse momento de discussão sobre o “status da cultura” em Pelotas pode ser uma ótima oportunidade para a reversão deste triste quadro que já se vivencia há muito tempo em nossa cidade.

Os eventos culturais da cidade colaboram para a educação, a reflexão e enriquecem o cotidiano da comunidade local, além de proporcionar o turismo. Uma cidade pobre em cultura é uma cidade sem alma. O que a sociedade pelotense pode fazer a respeito? O que é possível para estimular o crescimento desta área no município?

No mesmo site, li a notícia que os trinta restaurantes da quinzena gastronômica deste ano, que ocorrerá entre 17 e 31 de outubro, já foram selecionados. Este foi um investimento de sucesso, iniciado em 2004 por Sady Homrich e Felipe Lang, para estimular o setor gastronômico da cidade. Deu certo!

Os olhos do Bailarino




Há momentos na vida em que você tem grandes encontros. Tive um nesta semana. Conheci um senhor, na casa dos setenta anos, que mora em Paris há uns cinqüenta. Deixou o Brasil com 26 anos para ser bailarino no país que reverencia a arte.

Seu nome aqui é Bailarino. Seus olhos às vezes emocionados pelas histórias do passado, principalmente quando se refere a pessoas queridas que não mais gozam da saúde. Gentil, educado, generoso e com um jeito melodioso de falar, foi uma das pessoas mais interessantes que já conversei na vida.

Não foi a tarde toda, talvez nem uma hora. Contudo, com um conhecimento prévio sobre ele que recebi e com a figura frente a mim, foi o suficiente para me cativar. Delicado, contou histórias sobre sua rua, sua casa e sobre o bairro que mora, muito frequentado por turistas nos últimos tempos.

Fez questão de apontar a famosa confeitaria francesa que deveríamos visitar e provar. Local onde todos que estudam a arte do doce na França devem fazer seu estágio para assim serem aprovados.

O Bailarino soube, por contato com a família no Brasil, que o nosso país está bem, progredindo. Muito diferente do país que ele deixou.

Na França, fez carreira como bailarino. Aposentou-se e recebe em todos os natais, bombons da Prefeitura de Paris, como presente de final de ano. Além disso, é presenteado com bilhetes gratuitos para vários espetáculos que ocorrem na cidade. Os idosos, os aposentados são frequentemente bem tratados na Europa.

Com um sorriso no rosto me despedi do Bailarino, com desejo de um futuro reencontro, em que eu possa ouvir mais de suas palavras, sentir a vibração de seus olhos, vivos, como sua alma, independentemente da idade de seu corpo.

Os Monstros



Uma notícia ocupava parte da capa do The Times de ontem (02/10/09). Sem querer ser sensacionalista, a compartilho pela seriedade do assunto. Duas mulheres e um homem mantiveram contato pelo website de relacionamentos Facebook, pelo Messenger e por mensagens via celular. O que chama a atenção é o conteúdo que alimentava a “amizade”: abusos sexuais a crianças, com direito a fotografias, que eram compartilhadas entre eles, além de falarem a respeito de fantasias sexuais com crianças e animais.


Uma quarta suspeita, de Liverpool, também foi presa por contatos virtuais com Collin Blanchard, 39 anos, o único homem dessa doente relação. Angela Allen, 39 anos, é descrita pela polícia inglesa, como uma mulher sinistra; sem demonstrar qualquer remorso de seus atos, não tentou esconder as muitas imagens obscenas, assim como os e-mails contidos em seu computador.

Vanessa George, também com 39 anos, é a personagem que mais choca, em minha opinião. Conforme depoimentos, ela seria a última pessoa que poderia ser suspeita de abuso sexual. Querida pelas pessoas que conviviam com ela, possuía boa reputação com cuidados infantis. (!) Ela trabalhava em uma creche, em Plymouth. George é casada, desde 1993, tem duas filhas adolescentes e supostamente teria dado vida a suas fantasias doentias após contato com Blanchard.

Tudo leva a crer que Blanchard é o elo entre essas mulheres. Não acredito que ele seja “o único culpado”, nada disso. Talvez tenha sido o desencadeador, o instrumento para que o lado doentio de cada uma dessas criaturas se materializasse.

Vanessa George trabalhava com crianças em uma creche. Havia com ela centenas de fotos mostrando seus abusos a crianças, que ela deveria cuidar e proteger. Ler uma matéria como essa causa fúria, indignação, porque por mais que saibamos o quanto as crianças podem ser vítimas de abuso e de violência, não é algo visto como banal. Como os assaltos que noticiados nos telejornais são vistos sem susto. Isso, não. Causa mal-estar e a impotência é revoltante.

Meu principal objetivo não é apenas dividir com vocês algo que preocupa a todos nós, mas alertar também para o fato de que mulheres podem sim ser pedófilas e que a internet acaba sendo uma via segura para as mais doentes fantasias. Corrijo, não tão segura assim. Afinal, um colega de Blanchard, ao usar seu computador, viu algumas imagens enviadas por uma das mulheres e denunciou imediatamente à polícia. Um cidadão consciente que tornou público um crime.

Infelizmente não há como ter controle total de como nossas crianças estão sendo tratadas nas creches, nas escolas, nas casas dos amiguinhos ou até mesmo nas suas próprias casas. Porém, algumas coisas são possíveis de fazer. Quais seriam alguns dos sintomas apresentados por crianças pequenas que sofreram abuso?

1. Mudanças bruscas de comportamento sem uma razão palpável (como troca de escola, nascimento de um irmão etc.);

2. A criança repentinamente passa a se comportar de forma agressiva ou apática;

3. Os desenhos que ela produz podem conter representações da genitália ou passam a ser mais agressivos, com traços mais fortes. Os desenhos são diferentes do que anteriormente;

4. Por fim, algum setor do seu desenvolvimento pode sofrer uma regressão.


Os sintomas podem ser mais complexos que os acima citados; porém, esses quatro podem servir de guia para verificar se o seu filho ou sua filha sofreu algum tipo de abuso. As crianças podem mentir e fantasiar, faz parte do momento infantil, contudo quase sempre quando elas narram um abuso ela podem estar falando a verdade.

Se houver alguma suspeita, tente encontrar um bom ouvido para ver o que é possível fazer. Não finja que nada aconteceu. Procure um especialista na área (um psicólogo ou psiquiatra), que possa ajudar a criança a elaborar o que ela sofreu, e se der, também busque ajuda para você, se for mãe ou pai. Pessoas treinadas podem ajudar as vítimas a expressarem suas experiências.

Afirmo que não é uma caça às bruxas, de ficar com paranóia, procurando um predador ou uma predadora em cada canto. A ideia é ficar atento e discutir um assunto nada agradável, mas importante para nós e, principalmente, para nossas crianças.





sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio de Janeiro 2016






O Comitê Olímpico Internacional acertou! O Brasil merecia sediar as Olimpíadas de 2016. Não sei quanto a Chicago, Madri ou Tóquio, mas posso afirmar que nosso país recebe esta notícia como sinônimo de um investimento e de um reconhecimento internacional em nossas potencialidades.

Não sou a única a dizer que o brasileiro tem baixa autoestima. Deve ser herança colonial, não sei, mas temos o hábito de apenas elogiar o outro, o estrangeiro. Estando nesse momento fora percebo nossas qualidades com mais clareza e óbvio, reconheço nossos defeitos.

A Universidade de Cambridge está comemorando seu aniversário. Neste ano faz 800 anos. Oitocentos! Quase 300 anos mais velha que o Brasil. Assim, fica fácil ver o quanto ainda precisamos amadurecer, aprender. Todavia penso que estamos melhores do que na década de 80, por exemplo. Estamos indo...

Nossa moeda deixou de ser obsoleta após um curto período de tempo. Ela tem o mesmo nome há quinze anos. Lembra da inflação? Simbolizadas por aquelas maquininhas usadas pelos funcionários do supermercado para alterar os preços dos produtos? Não há mais.

Lógico que o famoso “jeitinho brasileiro” em nada é louvável, a falta de segurança, a impunidade, a pobreza, a corrupção, a desonestidade em vários setores da sociedade. Enfim, há muita coisa triste e que nos causa indignação, mas não perdemos a esperança.

Me deparei com uma confirmação respeitável e interessante. Li hoje, em um dos editoriais do jornal britânico The Times, sobre o Brasil merecer ser sede dos Jogos Olímpicos, justificando que já é tempo de reconhecer o crescimento do país, tanto no campo da Economia como no das Relações Internacionais.

Assim, comemoremos essa conquista que significa um reconhecimento a todos nós.

domingo, 27 de setembro de 2009

Coelhos



Imaginem a cena: você está caminhando até a universidade. De repente se surpreende com animaizinhos. Pássaros? Cachorrinhos? Gatos? Ratos? Não, coelhos! Livres, leves e soltos nos campos dos arredores da universidade. Alegres salteadores, porém tímidos. Ao perceberem a presença humana por perto, se escondem ou ficam paradinhos, como se brincassem com seus amigos e um deles dissesse: “estátua!”
Quietinhos comendo suas comidas verdes, sobrevivem em meio a gente e outros animais. Umas semanas atrás o campo vasto foi cortado. Alerta geral! Qual seria o futuro dos animaizinhos? Após dias de procura e nada de coelhinhos, respirei com sorriso ao ver que estavam sãos e salvos, em um local perto, com folhagens suficientes para se protegerem dos gigantes, caso necessário.

Agora, não os vejo com tanta frequência, infelizmente, mas estão lá. Os coelhinhos saídos dos livros de Beatrix Potter direto para os meus olhos.

O Tempo





É quase tudo verdade o que falam sobre o tempo inglês. Cidades com flores por todos os lados mereceriam um céu mais azul. Felizmente, nos últimos dias, os primeiros do outono, ele está muito azul e com um sol aberto.

Falemos do verão que em quase nada lembra o do Brasil. Faz friozinho, o mais comum é você sair com manga curta com um casaquinho a tiracolo. O vento dançarino pode irritar e causa arrepio se o vivente não está com a roupa adequada. O sol, nesta estação, nasce cedo, pelas quatro e meia da manhã; porém, isso não significa sua estadia o dia inteiro. O mais comum, segundo meu testemunho, era por volta do meio-dia as nuvens tomarem conta e, quem sabe, saírem para passear por outras bandas, quase no fim da tarde, onde o sol retorna para alegria de todos e segue até por volta das 22 horas.

Fascinante o amor que os ingleses têm pelo sol. Talvez pela “sina” do país em ter tantas nuvens no céu. Eles comem no sol, lêem no sol, conversam no sol. Se você entra em um ônibus e quer sombra e não sabe qual o lado certo para sentar, não se preocupe, procure o lado com menos gente, provavelmente será este. Os ingleses estarão do outro lado.

Conhecer uma praia inglesa no verão é muito interessante. O cenário, reconheço, é de filme, o cais, os pássaros, os sons. Tudo pode ser muito romântico, inclusive a temperatura e o vento que fazem você desejar estar em uma casa à beira-mar, muito bem acompanhada, com uma manta ou um foguinho na lareira, um cálice de vinho vislumbrando o mar.

Claro que estas palavras vêm de quem sente muito frio e de quem vem de um país com calor tropical. As inglesas vestem biquínis, apesar de haver poucas pessoas na praia. Soube que a temperatura da água é polar.

De qualquer forma, enquanto eu estava quase tremendo de frio, agarrada em meu casaquinho, passava por mim uma nativa com vestidinho, sandália e que poderia até estar, tomando sorvete!

Falo do tempo, que deixou de ser um assunto para quando não se tem assunto e que, para mim, ganhou um status de maior respeito, com espaço exclusivo no horário nobre. Tornou-se uma importante ferramenta para sabermos o que vestir ou o que colocar na mala. Além disso, é um lugar-comum que une as mais diferentes pessoas.