quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010!


Ionut Dan Popescu 123RF


Receita de ano novo

(Carlos Drummond de Andrade)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)


Não precisa

fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumidas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sem data oficial


Daniil Kirillov 123RF

O final do ano é uma data oficial para avaliarmos nossas vidas. Mesmo que tentemos evitar tal reflexão, a mudança no calendário nos empurra para pensamos no ano que está por começar e no que estamos por deixar para trás.

Penso que pode ser muito legal eleger metas para o novo ano: se livrar do cigarro, começar uma dieta mais saudável, fazer exercícios físicos, voltar a estudar, procurar um emprego, enfim, são de diversas áreas as mudanças possíveis.

Acho divertidas algumas superstições, outras, claro, são doidas, mas vejo tudo isso com bom humor. A única ressalva que faço em relação a essa época é o fato de muitos de nós simplesmente fazermos listas e esquecermos delas ao longo dos meses.

De pouco adianta a minha lista de objetivos para 2010 se eu não lembrar dela no dia 02 de janeiro. Ela só terá algum valor se consultada e planejada constantemente. Não há mágica alguma.

Para os céticos, a virada de ano é apenas uma alteração no calendário, nada mais. Mesmo que muitos tenham diferentes crenças, essa ideia descrente é interessante para assumirmos nós as mudanças que almejamos e não atribuirmos apenas ao novo ano.

Não ocorre nenhum fenômeno sobrenatural na noite do dia 31 de dezembro. As coisas mudam não do dia para noite, mas dia após dia, num exercício persistente para que um hábito seja abandonado ou conquistado.

Tudo é possível se você colocar energia, investir para fazer acontecer. Você até pode rezar, fazer promessa, consultar tarô, mas se você não fizer a sua parte poucas serão as chances de você fazer do novo ano o que você imaginou na noite do ano-novo.

Então, vale a dica. Sonhe, planeje, deseje não apenas no fim do ano, mas todos os dias que se seguirão desta “data oficial” de avaliação de vida.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Lealdade




Assisti ao filme “Sempre ao seu lado”, com Richard Gere. A história é baseada em fatos reais e gira em torno do cachorro da raça Akita, chamado Hachiko, o Hachi, e seu dono, o personagem de Gere.

Fazia muito tempo que não via filme sobre cachorro. Não vi “Marley & Eu”, por exemplo, que foi sucesso de bilheterias. Filmes de cachorros nunca me chamaram a atenção, não que eu não admire algumas das características caninas, mas sempre preferi os gatos.

Ainda bem que fui ver “Sempre ao seu lado”. A perspectiva do filme está na do cão e não na de seu dono e isso me pareceu interessante, muito interessante. A história real ocorreu no Japão. Hachi, como era chamado, foi adotado por um homem que o achou na estação de trem de sua cidade.

Todos os dias, Hachi acompanha seu dono até a estação de trem, que o leva até seu trabalho. Hachi volta para casa e às 17h retorna à estação, porque nesta hora o trem de volta chega. E juntos, homem e cão voltam para casa.

A rotina seria alterada com a morte do personagem de Gere, mas Hachi, desejoso de reencontrar seu amigo, retorna insistentemente à estação de trem todos os dias às 17h. Não há como não deixar as lágrimas lavarem nossos rostos com tal gesto de Hachi. É de uma afetividade tão simples e primitiva, de uma beleza que emociona.

Emocionamos-nos ainda mais quando percebemos nossa identificação com os sentimentos de Hachi. Afinal, muitos de nós, no fundo, gostaríamos de esperar todos os dias os nossos entes queridos que já não estão mais por aqui. Somos impedidos pela nossa racionalidade de aguardar literalmente o reencontro.

Hachi expressa não apenas sentimentos caninos, mas também os nossos, à despeito de a morte não arrancar o amor e a saudade que sentimos por quem não está mais ao nosso lado. Não nos comportamos como Hachi, pois a noção de sanidade não nos permite. Porém, internamente, lá no fundinho, temos a crença de que este reencontro um dia acontecerá.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Balanço Cultural


Ruslan Zalivan 123RF

No fim do ano, é comum acontecer uma eleição de melhores do ano que está no fim. Não sei o quanto isso é válido, mas acho que pode valer de dica para outras pessoas que não viram ou não leram algum filme ou livro, por exemplo.

Você conseguiria fazer uma lista dentro do quesito cultura?

1. Melhor filme que você viu (não precisa ser lançamento):

2. Melhor livro que você leu (idem):

3. Melhor CD (idem):

4. Melhor espetáculo (show, dança, teatro etc.) que assistiu:

5. Melhor programa de televisão:

6. Melhor revista:

Se quiser compartilhar, será bem-vindo, mas o que vale mesmo é você observar como foram os movimentos nesta área de sua vida.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Drogas




Andrey Khritin 123RF

Li uma reportagem no jornal Zero Hora dias atrás a respeito de um pai de um dependente químico, que usou da criatividade, e do desespero, para tentar livrar o filho do vício. Cada vez que o rapaz procura o traficante, o último liga para o pai, que vai até o morro, busca o jovem e paga pela droga não consumida. Até mesmo quando ele busca drogas em outros pontos, o traficante denuncia seus passos ao pai que, igualmente, vai lá e resgata o filho.

Sabemos que as drogas afetam não apenas o dependente, mas sua família e seus amigos. O viciado é alguém doente que nem sempre percebe os riscos que corre e o quão está sem autonomia em relação a sua própria vida.

A conversa “se eu quiser, eu paro” é um clichê entre as pessoas que já perderam o livre-arbítrio, mas negam tal realidade. Ainda acreditam que têm o controle de suas vidas, quando, na verdade, estão possuídas pelo desejo de consumir cigarro, álcool, cocaína, crack etc.

Infelizmente o tratamento não é muito eficaz. Muitos dependentes recaem, todavia vale a pena o investimento e a união familiar para lidar com esse problema. Afinal, há tantos que vencem a dependência. Os familiares podem ficar doentes também e sofrem, tal como o usuário.

Compreender as causas do vício pode ser importante para que haja um acompanhamento terapêutico adequado, mas a primeira atitude é aceitar a situação, mesmo que se sofra muito, é preciso agir racionalmente e com bom senso.

Os grupos como Narcóticos Anônimos podem ser muito eficientes. Eles oferecem grande suporte não apenas para o dependente químico, mas também para os seus familiares. Apesar de ser um problema que atinja determinadas famílias, suas consequências afetam toda a sociedade.



sábado, 26 de dezembro de 2009

Crianças que sofrem


Tobert Pasti 123RF

Há vários dias a notícia de um menino de dois anos com dezenas de agulhas no corpo chocou parte da população. O caso, ocorrido na Bahia (agora se sabe de outro no Maranhão), já parece ter culpado: o padrasto da criança, que viveu com a mãe do menino por seis meses. O criminoso ainda acusa duas mulheres, entre elas sua suposta amante, de participarem do crime.

Por um mês, conforme entrevista dada ao Fantástico, no dia 20 de dezembro, o menino foi obrigado a tomar vinho com água e dormindo, sofria a inserção das agulhas em seu pequeno corpo.

O motivo não está claro, atingir a mãe do garoto, ritual religioso, enfim, não há certezas ainda. O que é certo é que é mais um registro de crueldade contra crianças. Não conseguimos, à primeira vista, compreender um caso como esse.

Crimes contra crianças chocam muito, porque é sabido da impotência das vítimas. São coisas que não poderiam acontecer, nunca! Mas acontecem dia após dia em milhares de lares e cenários.

Não há classe social, nem gênero, nem idade: tais crimes são democráticos, podem estar presentes em muitas circunstâncias. Não encontramos ainda uma forma de proteger nossas crianças de barbaridades, porque, afinal, muitas delas são cometidas pelos que deveriam cuidá-las.

A mão que deveria proteger, afagar e amar pode ser a mão que fere e humilha. Algo que não deveria existir, mas existe e não podemos fechar nossos olhos, mesmo que eles chorem com esta realidade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Papai Noel


Tetyana Kulikova 123RF

Quando eu era criança, tinha medo do Papai Noel. Não sei se sempre tive medo, mas lembro de uma ocasião especial em que precisava ir até o velhinho pegar meu presente (comprado pela minha mãe, óbvio) e ficava olhando de longe as outras crianças, em volta daquele senhor barbudo, felizes e eu fingindo que não era comigo. Acho que acabei indo até lá, mas querendo ser mais rápida possível.

Penso que a inocência infantil é algo muito bonito de apreciar. Minha sobrinha escreveu de próprio punho uma carta para o Papai Noel. Ela não foi alfabetizada ainda, mas se você ditar letra por letra ela escreve. Assim, ela pediu um patinete e uma bonequinha Polly. A carta, dentro de um envelope, foi colocada junto à árvore de Natal de sua casa com a promessa que o Papai Noel ou seu ajudante iria pegar qualquer dia desses.

No sábado passado, peguei a carta. Escondi-a e pretendo, daqui a uns anos, mostrar a ela seus garranchinhos inocentes e crentes. Não há qualquer outro momento na vida que se tenha tanta fé como na infância.

Quando ela chegou à sala, percebeu que não estava mais a carta ali e disparou: “Eu não peguei!” Com expressão de surpresa e felicidade, viu que sua carta enfim seria lida e posteriormente atendida pelo bom velhinho.

As crianças perambulam por aí e veem diversos Papais Noéis e lidam bem com cada um deles. Segundo suas cabecinhas, todos são um só. Que persistem em estar onde elas estão! Mesmo sabendo que não existe Papai Noel, eu construo tal crença para passar a minha sobrinha de quatro anos que devemos ter fé e acreditar em nossos desejos.

Mesmo que sejam patinetes e bonecas, não importa. O que interessa é a magia que essa tradição pode ter. Chegará um momento em que ela saberá que, por trás dos pacotes, há cartões de créditos, cheques pré-datados, dinheiro, mas até lá é interessante enriquecer o universo infantil com um pouco de mágica. E, por fim, descobrir que o Papai Noel é um símbolo de proteção, bondade e generosidade.

Pessoal, feliz natal para todos!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O que não pode ser comprado


Valentina Rusinova123RF

Qual é o seu pedido para o “Papai Noel” neste natal? Quais presentes você elege como importantes para este momento? Um perfume? Um livro? Uma roupa? Um sapato? Um biquíni? Uma surpresa? Qualquer que seja sua opção, ela diz muito de você agora.

Quem quer biquíni pensa que verão sem praia não é verão. Essa pessoa quer diversão com seus amigos e contato com a natureza. Quem prefere perfume quer se cuidar, se sentir bem consigo mesma, ou, quem sabe, impressionar alguém. Uma roupa ou um sapato é alguém que quer ser prático ou gosta de tais objetos, almeja causar boa impressão pela aparência. Um livro é para alguém que verão não é verão sem leitura, deseja conhecimento. A surpresa é para alguém em busca do desconhecido.

Sei que tais “interpretações” são simples demais, tenho certeza disso. Elas não estão aqui para decifrar qualquer um e sim convidar a refletir um pouco sobre si nesta época tão corrida que mal paramos para respirar melhor.

O que você espera receber tem a ver com o seu momento atual. Não deixa de ser interessante descobrir um pouco mais sobre isso: as dicas que nossos desejos podem nos dar sobre o que estamos vivendo.

Há aqueles que nada querem. Suspeito que possa ser humildade ou certa desistência das coisas da vida ou economia mesmo. Há aqueles que querem demais, todos os presentes possíveis do shopping. Neste caso, creio que tal pessoa está por demais insatisfeita com seus últimos acontecimentos, talvez seja insaciável mesmo, e é bom lembrar que quem quer tudo, nada tem.

Mesmo que não ganhemos na noite do dia 24 o que desejamos: aquele livro que extrapola nossa renda, aquele vestido da vitrine, aquela bolsa linda, enfim, o que conta mesmo é o nosso desejo para pensarmos mais a respeito do que queremos da vida e como podemos nós mesmos ser os nossos Papais Noeis. E assim, conquistarmos o que está relacionado aos que desejamos. Perfumes, roupas, sandálias, CDs, livros são símbolos do que é importante para nós. Sermos mais cultos, inteligentes, bonitos, bem informados, são essas as qualidades que desejamos por trás do que se pode ser comprado nas lojas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Maneiras de viver as festas de final de ano


Natalia Kushimova 123RF

As festas de final de ano sempre fazem pensarmos em família. Também em amigos, todavia família é o que primeiramente vem à cabeça. Apesar de pensar nisso, acredito que passar sozinho o Natal e o Ano-Novo não significa, necessariamente, vivenciar uma situação triste.

Percebo muitas pessoas envolvidas com seus familiares preocupadas e sem conseguir curtir as festas. Seja porque os parentes não lhe trazem prazer, seja porque a pessoa estava a fim de fazer outra coisa. Alguém pode passar tais festas com sua família não por escolha, mas por obrigação.

E aí, cadê o espírito natalino? Muitos, ao quererem respeitar as tradições, se amarram a coisas que não lhes trazem bem-estar, pelo simples fato de quererem cumprir um dever. Não tenho dúvidas de que há coisas na vida que devemos fazer e pronto, mas festas de final do ano não precisam rimar com obrigação.

Provavelmente será uma boa decisão para a virada do ano que sejamos mais espontâneos e que respeitemos mais nossas vontades, nossa intuição e nosso desejo de passar com quem realmente queremos e como queremos. Sem algemas.

A imagem ligada ao Natal, principalmente, é da família unida e sorridente sentada à mesa. Não precisa ser assim para que a data seja feliz. Não precisa de toda a família, nem de uma ceia. São elementos da tradição e nada de ruim nos acontecerá se rompermos com a ideia de família, de peru e de presentes.

As festas de final de ano abrem inúmeras possibilidades com parentes, amigos ou mesmo só, com ceia ou sem, não importa. O que é fundamental é estarmos onde, como e com quem queremos. Este, para mim, é o espírito de natal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Atendimento a Clientes


Dmitry Isaev 123RF

Quando você entra em um estabelecimento comercial você busca um tratamento adequado. Que as pessoas que trabalhem ali sejam simpáticas. Simpatia é uma característica básica para quem lida com pessoas. O gosto pelo tratamento que se quer depende de cada um. Alguns preferem vendedores mais calados, outros optam pelos mais participativos. Não tem como agradar gregos e troianos, mas simpatia ninguém não deseja.

Há algum tempo atrás, na companhia de dois novos amigos, fui a um determinado lugar para conversar e fazer um lanchinho, tomar algo. A antipatia das atendentes me deixou estupefata! Como pode ser possível essas pessoas terem sido escolhidas para trabalhar diretamente com pessoas?

Se tivesse uma consultoria ou trabalhasse em uma, sinceramente iria entregar meu cartãozinho para o dono do local. Treinamento profissional urgente! Sei que este lugar não é o único. Sou testemunha da baixa qualidade de atendimento em vários locais e, certamente, você também.

Compreendo que todos nós temos o direito de ter um dia de cão, um dia em que não se forma um sorriso no rosto. Mesmo quando se está no trabalho. Somos humanos, não máquinas. Todavia ali havia uma antipatia geral.

Talvez fosse o calor, talvez as atendentes estivessem preocupadas com os presentes de natal, talvez não gostem de seu ofício, enfim diversas são as possibilidades que podem oferecer justificativas, mas nada me convidaria a ir lá novamente.

Aquele lugar não perde apenas sorrisos e gestos gentis, também perde clientes. Não há qualidade nos produtos, nem preço baixo, que façam valer a pena frequentar lugares em que somos mal atendidos. Em qualquer segmento comercial, queremos encontrar alguém que nos acolha e não sentirmos a sensação de que, nós clientes, parecemos uma pedra em seu caminho.